terça-feira, 24 de maio de 2011

Lembranças escritas: uma amizade (quase) esquecida

Ontem à noite eu encontrei uma agenda antiga que estava guardada dentro de uma gaveta no meu quarto, ou melhor, era um "quase diário", estava cheio de frases, poemas, cartas e recados de amigas (falsas) e pensamentos antigos, o que me levou a um belo passeio pelo mundo da nostalgia - que ironia, não? Bem, o fato é que encontrei duas cartas de uma grande amiga minha, a B., as datas estavam no cabeçalho: uma era de 11 de março de 2009  e a outra de 20 de maio de 2009, claro que essas duas cartas já foram respondidas há mais de dois anos, rs.
O que me chocou na realidade foi que, quando reli as duas cartas, percebi novamente ao que a B. tanto se referia e fez tanta questão de reiterar na segunda carta: a nossa verdadeira e duradoura amizade. Eu sei, você deve estar achando que estou sendo melodramática outra vez mas, sério mesmo, a B. era diferente das outras garotas, na época nós duas tínhamos namorados (ela ainda namora o mesmo cara até hoje, com certeza vai dar casamento! hehe), então, não ficávamos dando mole para os outros garotos da escola e, acredite, mesmo que não estivéssemos namorando, tenho certeza que nós duas seríamos umas das poucas garotas da escola que não daria mole para os outros garotos. Fato. De qualquer forma, não era só nisso que éramos parecidas, nós gostávamos das mesmas músicas, dos mesmos livros, das mesmas roupas e sapatos, das mesmas maquiagens... éramos BFFs de verdade! hehe. Nós nos conhecemos no 1° ano do Ensino Médio, pena que essa amizade durou tão pouco tempo, porque no segundo semestre, a B. mudou para à noite e eu fiquei, literalmente, sozinha nas aulas de manhã. Ela era minha única amiga. Sinceramente falando, por sermos diferentes das outras garotas da sala, éramos praticamente "apedrejadas" na sala de aula, com comentários, brincadeiras e muitas, muitas brigas com aqueles garotos insuportaveis que, zoavam da B. porque ela era gordinha e eu, por ser a nerd da sala de aula. Isso tudo era muito chato, mas nada disso atrapalhava a nossa amizade, pelo contrário: fortalecia-nos ainda mais, pois sabíamos que podíamos contar uma com a outra. 
Enfim, como eu disse anteriormente, a B. mudou de período de estudo no segundo semestre, foi um tremendo choque quando voltamos de férias e não a encontrei na escola. No dia seguinte, depois do intervalo, ela veio  conversar comigo (e devolver o meu caderno que eu havia emprestado) e disse que não nos veríamos mais na escola, claro que depois que ela disse essas palavras, o que rolou foram abraços e lágrimas de saudades de uma grande e verdadeira amiga, a qual eu jamais me esquecerei. Mas o  sofrimento de perda logo passou, em menos de duas semanas a B. foi transferida novamente para a manhã, o emprego dela (motivo da mudança de horário dos estudos) não havia dado certo. E ficamos juntas novamente, como duas amigas devem ficar.
O ano de 2008 acabou e fomos para o segundo ano do Ensino Médio, infelizmente, em classes diferentes. Foi aí que começamos a nos corresponder por cartas, tínhamos apenas vinte minutos para conversamos no intervalo - o que era o bastante para contar sobre o fim de semana e nada mais. Depois disso, pouco a pouco, fomos nos distanciando e quando vimos, já estávamos com outros amigos e com uma certa distância uma da outra. Nos formamos ano passado e nunca mais nos vimos. Nem pude dizer adeus à minha melhor amiga.  
Se a nossa amizade acabou? Eu não quero pensar assim, embora esse seja um fato bem óbvio. Mas, como diz o ditado: O que os olhos não vem, o coração não sente. Então eu digo: Quando as palavras não querem ser pronunciadas ou escritas, o coração também não sente
Mas sente, sente sim, não precisa de palavras ou cartas antigas para perceber que essa amizade acabou há dois anos atrás... e dói, dói muito saber isso.
Porém, há uma coisa que a B. escrevia nas cartas dela que é verdade: a nossa amizade é única e inesquecível.

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