quinta-feira, 3 de março de 2011

Sem lenço e sem documento

O ser humano é tão dependente e acomodado. Infelizmente, não há muito o que fazer a respeito e no final, eu acabo percebendo que eu também sou assim. Nem tanto. Dependente? Sim. Acomodada? Nunca. Eis aqui o meu problema que me diferencia da maioria dos seres humanos - ah, isso não é gabação, é a realidade.
Enfim, vamos partir do ponto em que me coloquei nesta posição de "ser diferente" da maioria...
Certo dia, eu acordei estranha, na verdade, agitada. Joguei as cobertas longe e sai praticamente correndo da cama. Motivo? Não sei. Mas eu senti que ficar na cama estava corroendo o meu cérebro. Olhei no relógio, eram dez para as nove, acordei cedo para quem foi dormir tarde no dia anterior. Tanto faz. Senti que nada ao meu redor fazia o menor sentido, será que eu estava perdendo um pouco da sanidade que ainda me resta? Eu espero (e acho) que não. Bem, não era isso. Eu estava cansada. Não fisicamente, eu acabara de acordar. Mas, psicologicamente. Claro, os últimos acontecimentos bem que me ajudaram - sarcasmo.
De fato, eu estava precisando fugir e sinto que ainda preciso, mas as condições não ajudam. Em todo caso, eu já disse: sou diferente da maioria. Enfim, ser adulta ou adolescente não mudaria nada, o fato é que estou desempregada, não entrei para a faculdade e os meus pais me odeiam - ou, pelo menos, é o que eu acho. Ah, qual é? Quem vai querer filhos (as) acomodados? Opa! É aí que a minha filosofia entra: eu não sou acomodada! Embora as pessoas pensam que eu sou. E quando eu digo "pessoas", me refiro a minha família e amigos. É, pra vocês verem, as pessoas que amamos nos apunhalam pelas costas com uma faca de falsidade e falta de crédito conosco. Isso sim, é insano.
De qualquer forma, criticar isso tudo não vai mudar nada, exceto a minha vontade de sumir. É, eu tô falando de fugir daqui. Sabe, arrumar as minhas coisas, pegar um trem (porque dinheiro para avião é só em filme!), enfim, viver do meu jeito. Vou poder fazer o que eu quiser, na hora em que eu quiser. Só tem um problema nisso tudo: nada disso existe. Não é só "pegar um avião" que é coisa de filme, mas querer fugir desse jeito é coisa de filme. Quem em sã consciência, que mora com os pais, uma irmã irritante e um cachorrinho fofo e que, embora esteja desempregada e sem ir para a faculdade, tenha casa, comida, roupa lavada, tv e internet... Gostaria de largar tudo isso e correr para o destino? Simples: eu. Pois é, isso te parece insano? Eu te digo uma coisa: é insano para você querer mudar de vida? Não, né?
No entanto, no fim das contas, eu acabo por perceber que eu quero mas não posso. Por que? Porque eu quero viver algo que está além de tudo que eu tenho e isso é egoísmo ou é vontade de viver? Não quero ser como a maioria: acomodada. Eu quero alcançar os meus objetivos, eu quero chegar onde os meus sonhos me mostram todas as noites. Eu quero fugir, mas não como uma "fuga", mas sim como um passe para a liberdade, para ser quem eu sou, que está oculto aqui dentro.
E se der tudo certo, ótimo, eu vou ficar feliz. Mas, se der errado, não tem problema. Eu tento outra vez! Eu não tenho medo de me arriscar... E seja o que Deus quiser! 
Como diz aquela música do Caetano Veloso...

"Sem lenço e sem documento, nada no bolso ou nas mãos. 
Eu quero seguir vivendo, amor. Eu vou... Por que não? Por que não? (...)".

2 comentários:

Amato disse...

Gostei do espírito!E acho que deve ser assim mesmo,rebelde nos pensamentos,mas sensato nas atitudes.Rebelde para poder ter poder de indignação e sensatez para decidir sua vida!Bom texto,mas pense no agora e o que pode ser melhor...
Fazia tempo que não lia suas palavras,mas continuo gostando...

Mayara Caparroz disse...

Olá, Amato!
Que saudade da sua visita aqui na TDN - se bem que eu não posso falar nada, pois faz tempo que não leio o teu blog, também! rs. Sorry! Culpa do meu tempo que está corrido.
Que bom que você gostou do meu texto, sabe eu sempre coloco o máximo de sinceridade nas minhas escritas.
Um super abraço!

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