quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Á caminho da decadência

Ultimamente, tenho me sentido tão inútil ao tentar iniciar uma conversa com certas pessoas, que acabo me sentindo cada vez mais incapaz de fazê-lo. Sabe aquela famosa frase "Boca fechada não entra mosquito"? Então, né. É que eu não me contenho! Tanto faz. Desde minha infância, sempre tive a "boca aberta". Não sou fofoqueira! Porém, muitas vezes, sem querer, acabo falando coisas que magoam ou irritam. Fazer o que? Sou uma futura jornalista, não consigo guardar para mim o que deve ser compartilhado.
Lembro-me de quando eu tinha uns 13 anos de idade, eu estava saindo da escola quando eu e minhas amigas vimos duas meninas brigando. Brigando mesmo! Uma delas até segurava uma garrafa de cerveja (quebrada) nas mãos, para tentar ferir a outra. Terrível. Enfim, resolvemos seguir o resto dos alunos, que estavam correndo, para ir assistir à briga e quando chegamos, ficamos de longe vendo a cena ridícula de duas meninas discutindo por causa de um garoto. Típica cena de adolescente! 
De repente, a professora de educação física veio de carro até nós e perguntou o que estava acontecendo. Rapidamente, alguém lá do fundo, um dos meninos talvez, gritaram: "É briga!". A professora olhou para mim e minhas amigas e perguntou se nós sabíamos quem estava no meio da briga, ou seja, quem eram as duas meninas. Então, com toda a minha inocência, corri até o carro da minha professora e disse "São duas meninas da sétima série, estão brigando por causa de uma menino...", mal terminei de falar e uma das minhas amigas gritou "Mayara!". Olhei para trás, minhas amigas faziam sinal de "não" com a cabeça e a que havia gritado o meu nome disse "Vem pra cá!" e, mesmo sem entender fui. Chegando lá, perguntei o que havia de errado, ela perguntou se eu era louca, logicamente respondi que não. Então ela me disse: "Por que você foi contar para a professora? Se alguém ouve e caguéta para as meninas que estão brigando que você estava dando uma de x9, elas te arrebentam na porrada! Elas moram na favela!". Novamente com toda a minha inocência, questionei "O que é x9?" e minha amiga respondeu "Quem fofoca as coisas de uma pessoa para a outra", retruquei: "É a mesma coisa que ser fofoqueiro... " e ela me interrompeu: "Não! Fofoqueiro não morre, já x9, os caras mandam matar". Fiquei pasma. Eu não era fofoqueira, muito menos x9! Só respondi a uma pergunta feita pela professora. Eu só queria ajudar. 
No fim das contas, eu disse "Vamos embora" e comecei andar até o ponto de ônibus, para ir para casa, minha irmã e minhas amigas me seguiram. No caminho, encontramos uma vizinha da escola que disse-nos ter chamado a polícia, não deu outra, mal viramos a esquina e vimos duas viaturas da polícia militar, que já estavam chegando a escola [...].
Não vou dizer que foi quando eu aprendi a lição de ficar com a matraca fechada, pelo contrário. Só aprendi que devo ser cautelosa, não devo sair contando tudo para todos, mas como futura jornalista, deveria honrar a profissão com o desejo mais lindo que tenho guardado no meu coração: informar a sociedade dos acontecimentos e, claro, ser livre para escrever o que eu quiser - e isso é bem clichê, pois ninguém pode escrever tudo o que quer. 
Entretanto, sei que não quero ser uma fofoqueira ou uma x9, só quero ser jornalista. Só quero ser eu mesma.
Então, não me peça para calar a boca!

0 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...