segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Desabafo


Quem disse...
... que eu não posso passar lápis preto nos olhos?
... que eu não posso ouvir Britney Spears?
... que eu não posso ser bailarina?
... que eu não posso ler livros de vampiros?
... que eu não posso usar All Star?
... que eu não posso odiar matemática?
... que eu não posso detestar feijão?
... que eu não posso usar camiseta de banda?
... que eu não posso ser louca por roupas e sapatos?
... que eu não posso ir à igreja?
... que eu não posso cantar e dançar feito doida?
... que eu não posso ter um blog?
... que eu não posso pintar as unhas de vermelho?
... que eu não posso gostar de Rock?
... que eu não posso ser jornalista?
... que eu não posso gritar e falar alto?
... que eu não posso cortar o meu cabelo?
... que eu não posso ser livre?
Quem disse que eu não posso... ser eu mesma?

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Á caminho da decadência

Ultimamente, tenho me sentido tão inútil ao tentar iniciar uma conversa com certas pessoas, que acabo me sentindo cada vez mais incapaz de fazê-lo. Sabe aquela famosa frase "Boca fechada não entra mosquito"? Então, né. É que eu não me contenho! Tanto faz. Desde minha infância, sempre tive a "boca aberta". Não sou fofoqueira! Porém, muitas vezes, sem querer, acabo falando coisas que magoam ou irritam. Fazer o que? Sou uma futura jornalista, não consigo guardar para mim o que deve ser compartilhado.
Lembro-me de quando eu tinha uns 13 anos de idade, eu estava saindo da escola quando eu e minhas amigas vimos duas meninas brigando. Brigando mesmo! Uma delas até segurava uma garrafa de cerveja (quebrada) nas mãos, para tentar ferir a outra. Terrível. Enfim, resolvemos seguir o resto dos alunos, que estavam correndo, para ir assistir à briga e quando chegamos, ficamos de longe vendo a cena ridícula de duas meninas discutindo por causa de um garoto. Típica cena de adolescente! 
De repente, a professora de educação física veio de carro até nós e perguntou o que estava acontecendo. Rapidamente, alguém lá do fundo, um dos meninos talvez, gritaram: "É briga!". A professora olhou para mim e minhas amigas e perguntou se nós sabíamos quem estava no meio da briga, ou seja, quem eram as duas meninas. Então, com toda a minha inocência, corri até o carro da minha professora e disse "São duas meninas da sétima série, estão brigando por causa de uma menino...", mal terminei de falar e uma das minhas amigas gritou "Mayara!". Olhei para trás, minhas amigas faziam sinal de "não" com a cabeça e a que havia gritado o meu nome disse "Vem pra cá!" e, mesmo sem entender fui. Chegando lá, perguntei o que havia de errado, ela perguntou se eu era louca, logicamente respondi que não. Então ela me disse: "Por que você foi contar para a professora? Se alguém ouve e caguéta para as meninas que estão brigando que você estava dando uma de x9, elas te arrebentam na porrada! Elas moram na favela!". Novamente com toda a minha inocência, questionei "O que é x9?" e minha amiga respondeu "Quem fofoca as coisas de uma pessoa para a outra", retruquei: "É a mesma coisa que ser fofoqueiro... " e ela me interrompeu: "Não! Fofoqueiro não morre, já x9, os caras mandam matar". Fiquei pasma. Eu não era fofoqueira, muito menos x9! Só respondi a uma pergunta feita pela professora. Eu só queria ajudar. 
No fim das contas, eu disse "Vamos embora" e comecei andar até o ponto de ônibus, para ir para casa, minha irmã e minhas amigas me seguiram. No caminho, encontramos uma vizinha da escola que disse-nos ter chamado a polícia, não deu outra, mal viramos a esquina e vimos duas viaturas da polícia militar, que já estavam chegando a escola [...].
Não vou dizer que foi quando eu aprendi a lição de ficar com a matraca fechada, pelo contrário. Só aprendi que devo ser cautelosa, não devo sair contando tudo para todos, mas como futura jornalista, deveria honrar a profissão com o desejo mais lindo que tenho guardado no meu coração: informar a sociedade dos acontecimentos e, claro, ser livre para escrever o que eu quiser - e isso é bem clichê, pois ninguém pode escrever tudo o que quer. 
Entretanto, sei que não quero ser uma fofoqueira ou uma x9, só quero ser jornalista. Só quero ser eu mesma.
Então, não me peça para calar a boca!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cura-me


Tanta amargura escondi,
O medo de não acertar.
Sonhos coloridos destruí,
Que eu não quero mais lembrar.

Não vou mais chorar,
Foi o que decidi.
Não vou mais sofrer,
Pra que viver assim?

Com imagens da infância, comecei a chorar.
Caí na caixa das lembranças,
Lembrei do Teu olhar.
Enchi meus olhos de esperança,
Comecei a cantar.
Entrei de vez naquela dança,
Pra nunca mais voltar...

Cura-me em minhas lembranças,
Cura o meu altar,
Cura-me, sou Tua criança.
Cura-me, cura-me, cura-me...
Cura-me, Senhor Jesus.
Cura-me, cura-me, cura-me...
Cura-me, Senhor Jesus.

(Fernanda Brum)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Liberdade de Expressão - Quase um sussurro...


Eu estava vindo aqui para o estágio, quando vi um garotinho de aparentemente uns nove anos de idade, cair de bicicleta. Os dois amigos que estavam perto (um garoto e uma garota, da mesma idade) começaram a rir do coitadinho, mas como eu estava longe - e ainda mais porque nem foi necessária a minha ajuda - só fiquei olhando o garoto, que se levantou e começou a rir também, visto que ele não estava machucado. Sorri e continuei caminhando, afinal de contas, eu não ia ficar olhando aquelas crianças eternamente, eu tinha que vir trabalhar. 
E cá estou agora, refletindo nas banalidade - ou não - da vida. Se fosse eu naquela bicicleta, mesmo que eu não estivesse machucada, tenho quase certeza que eu estaria chorando feito um bebê. Bobagem, não? Pois é. Quando as coisas são com os outros, parece tudo tão mais fácil, mas e quando é conosco? É, não adianta chorar. Nem que você esteja machucado, as lágrimas não resolverão o seu problema por você. Está em suas mãos.
Não adianta ficar calada quando você sente dentro de você uma vibração, vindo da suas cordas vocais, implorando para você abrir a boca e pronunciar ao menos uma palavra sequer. Da mesma forma que não adianta chorar quando se sente estúpida o bastante, por causa de uma crise de pânico com as mudanças - quem mandou ser nostálgica? Esse é o preço que se paga por se limitar ao passado e achar que o futuro não existe, que será sempre a mesma coisa; que o passado pode aparecer e te sacudir dizendo "Foi sua culpa!" ou "Idiota, por que você fez isso?". O passado não volta mais. Eu já deveria ter percebido isso, ao menos ter colocado em prática no meu dia a dia.
Sei que não devo culpar a nova geração de estudantes que, aliás, sou um deles! Eles não são burros, são ignorantes, a culpa deve cair somente encima da "Promoção Automática", onde alunos de 5° série mal sabem ler e escrever. Como, então, poderão saber o que querem da vida? Você deve está se perguntando porque eu disse que era ignorância da parte deles, eu explico. Como eu já disse, faço parte dessa nova geração de estudantes e, embora o nível de ensino tenha caído, eu me esforço para obter um melhor desempenho; eu busco conhecimento, a minha própria ideologia. Outro erro meu: querer que as pessoas sejam igual a mim. Eu sei, desnecessário e inútil.
Apesar de toda e qualquer mudança que tentei conquistar em minha vida, o resultado foi meio clichê: ainda continuo a mesma. E isso me machuca profundamente, pois eu sei que afeta uma das pessoas mais importantes da minha vida. Eu acho que sem os meus livros, meus textos e as minha músicas, eu sou quase nada. Neste momento estou vestindo a minha camiseta do Evanescence e ouvindo "Lithium" (umas das minhas favoritas da banda), apesar de saber que eu deveria parar com isso. Deveria? Quem disse? 
Quem disse que eu não posso ouvir rock? Quem disse que eu não posso gostar de Britney Spears? Quem disse que eu não posso vestir camisetas de banda? Quem disse que eu não posso ler livros de vampiros? Quem disse que eu não posso escrever o que estou sentindo no meu blog? Quem disse que não posso ser eu mesma? Não. Deus apenas disse para sermos Seus servos e fazer jus ao Seu nome. Eu sou cristão, evangélica para falar a verdade. Mas só percebi que era, quando vi que eu me portava como uma e fazia as mesmas coisas que os evangélicos fazem: pregar o evangelho e adorar a Deus. E eu serei assim pelo resto da minha vida. Só quero ser livre para me expressar.
Eu sei que um texto a mais no meu blog pode não fazer tanta diferença por aí, entretanto, para mim faz. E muita.
Vou ficando por aqui, desejando que um dia a sociedade entenda a importância da Liberdade de Expressão.

Beijos, beijos!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Imaginary


Oh, flores de papel...
Oh, flores de papel...

Eu permaneço no vão da porta.
Do despertador gritando,
Monstros chamam meu nome.
Me deixe ficar.
Onde o vento vai sussurrar para mim,
Onde as gotas de chuva,
Enquanto caem, contam uma história.

No meu campo de flores de papel
E doces nuvens de canções de ninar,
Eu minto dentro de mim mesma por horas
E assisto meu céu roxo voar sobre mim.

Não diga que estou fora de alcance,
Neste galopante caos - sua realidade.
Eu sei bem o que está para além do meu sono-refúgio,
O pesadelo que construiu o meu próprio mundo para escapar.

No meu campo de flores de papel
E doces nuvens de canções de ninar,
Eu minto dentro de mim mesma por horas
E assisto meu céu roxo voar sobre mim.

Engolida pelo som do meu grito,
Não posso cessar o medo das noites silenciosas.
Oh, como eu anseio pelos sonhos do sono profundo,
A deusa da luz imaginária.

No meu campo de flores de papel
E doces nuvens de canções de ninar,
Eu minto dentro de mim mesma por horas
E assisto meu céu roxo voar sobre mim.

Oh, flores de papel...
Oh, flores de papel...

(Evanescence)
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